Como agentes de IA de fornecedores diferentes compartilham o histórico
Credencial por agente, leitura por finalidade, registro de cada leitura e memória que fica com a empresa: como fornecedores de IA compartilham o histórico.
Governança7 min de leitura
Agentes de IA de fornecedores diferentes compartilham o histórico do cliente quando todos leem e alimentam a mesma memória, que fica fora de qualquer fornecedor. Cada agente entra com uma credencial própria, e a finalidade declarada nela decide o que o agente recebe. Cada leitura deixa um registro encadeado por SHA-256, que a empresa confere no próprio SIEM. Quando um fornecedor sai, a memória continua inteira para o substituto.
Como cada fornecedor se conecta à mesma memória?
A Marina é cliente de uma empresa com quatro agentes de IA: o de WhatsApp, do fornecedor A; o de voz, do fornecedor B; o de cobrança, do fornecedor C; e o do app, do time próprio. Os motivos de a memória ficar acima de todos estão em memória omnichannel.
Cada agente recebe da empresa uma credencial própria, e nenhum usa a de outro. Em cada credencial, a empresa declara a finalidade: cobrança, para o agente do fornecedor C, e atendimento, para os outros três. O fornecedor não escolhe a finalidade a cada pedido: a credencial diz quem está lendo e para quê.
A integração é igual para todos: o SDK em Python ou TypeScript, a API HTTP ou uma ferramenta MCP. O agente faz três chamadas: context() antes de responder, search() durante a conversa e track() depois. O SDK tem código aberto, e cada fornecedor audita o que envia. A empresa exige essa integração no contrato de cada fornecedor.
O que cada agente pode ler e escrever?
O acesso começa negado. Cada agente lê o que a finalidade dele permite. A regra vale para o contexto e para cada busca no histórico. Nessa empresa, a política fica assim:
| Agente | Finalidade | O que recebe |
|---|---|---|
| WhatsApp, fornecedor A | atendimento | contexto de chat |
| Voz, fornecedor B | atendimento | contexto de voz |
| App, time próprio | atendimento | contexto completo |
| Cobrança, fornecedor C | cobrança | faturas, acordos e contestações |
A política decide item a item. O agente de cobrança vê que a fatura de agosto foi contestada, mas não vê a pendência técnica. Às 09h31, uma leitura dele foi negada por esse motivo. A mesma regra impede que ele veja dado de saúde.
A escrita segue a mesma lógica. A empresa define quais agentes alimentam a memória. Ela também define quem enxerga o que cada fornecedor gravou. Cada agente acrescenta as próprias conversas, e nenhum reescreve o que outro gravou.
O que acontece quando dois agentes gravam fatos que se contradizem?
Às 14h02, a Marina pede ao agente de WhatsApp do fornecedor A que o técnico ligue antes de ir. Às 14h07, ela diz ao agente de voz do fornecedor B que prefere o aviso por WhatsApp. A memória guarda os dois fatos, cada um com canal, horário e agente.
Nenhum fornecedor decide qual vale. O modelo que processa a conversa aponta a contradição, e uma regra fixa escolhe o fato mais recente. Conta a hora em que o fato passou a valer, não a ordem de chegada: uma transcrição atrasada nunca passa por cima de um fato novo. O contexto seguinte traz a preferência mais nova, com a origem "Telefone 14h07". O pedido das 14h02 continua no histórico, marcado como substituído.
Na conversa, vale o que a cliente disser, e a correção vira fato novo na memória. O caso difícil é outro: a cliente afirma uma coisa e um sistema registra outra. Por isso, cada fato no contexto diz se a cliente declarou ou se um sistema confirmou.
Como provar qual agente leu o quê?
Cada leitura gera um registro com o agente, o fornecedor, o que foi lido, a finalidade e a hora. O registro cobre o contexto e cada busca no histórico, inclusive as leituras negadas. As leituras sobre a Marina naquele dia:
| Hora | Quem leu | Para quê | Resultado |
|---|---|---|---|
| 14h07 | Agente de voz, fornecedor B | atendimento | recebeu o contexto de voz |
| 14h05 | Agente do app, time próprio | atendimento | recebeu o contexto completo |
| 14h02 | Agente de WhatsApp, fornecedor A | atendimento | recebeu o contexto de chat |
| 09h31 | Agente de cobrança, fornecedor C | cobrança | negado: cobrança não pode ver pendência técnica |
Os registros são encadeados por hash SHA-256. Cada linha carrega o hash da anterior, e alterar uma linha quebra a cadeia. A raiz de cada dia fica selada em armazenamento imutável. Uma cópia segue em tempo real para o SIEM da empresa. Assim, a empresa prova se o fornecedor B recebeu a contestação da fatura, sem depender do registro dele.
O que muda quando a empresa troca de fornecedor ou corta um acesso?
A empresa corta o acesso de um fornecedor na hora, sem depender dele. Dali em diante, os agentes dele não recebem contexto nem resultado de busca.
A memória continua inteira. Tudo o que o fornecedor antigo gravou fica guardado, com a origem de cada fato. O fornecedor novo recebe uma credencial própria e lê a mesma memória desde a primeira conversa. A empresa também exporta tudo em formato aberto, quando quiser.
O ponto que exige cuidado é o que o fornecedor antigo já recebeu. Essas cópias ficam do lado dele e seguem o contrato dele. Pelo GDPR, o operador deve apagar ou devolver os dados pessoais no fim do serviço, à escolha do controlador (art. 28(3)(g)). A LGPD manda eliminar os dados quando o tratamento termina, com exceções como obrigação legal (art. 16). O registro de leituras mostra o que cada fornecedor recebeu, e essa é a lista que a cláusula de saída do DPA precisa cobrir.
Como implantar, do primeiro canal ao fornecedor novo?
A implantação acontece em três etapas.
- Primeiro canal. A empresa conecta um agente, como o de WhatsApp do fornecedor A, com credencial própria e a finalidade atendimento. Antes de liberar, o time simula o que esse agente vai enxergar. O agente chama
context()antes de responder etrack()depois. A memória cresce a cada conversa. - Segundo canal. Entram o agente de voz do fornecedor B e o agente do app. A memória reconhece a Marina pelo telefone, e o agente de voz recebe antes do alô o que ela contou no WhatsApp. Nesta etapa, a cliente para de repetir a história.
- Fornecedor novo. O fornecedor C chega com a finalidade cobrança. O time define o que essa finalidade lê e simula a visão do agente antes de liberar. Desde o primeiro dia, as leituras dele aparecem no SIEM.
Nenhuma etapa muda o prompt, o modelo ou o fornecedor dos agentes que já atendem.
Como a Niadra resolve
A Niadra é a memória compartilhada dos agentes de IA de uma empresa, em todos os canais e fornecedores. Ela funciona com qualquer fornecedor e qualquer modelo de IA. Cada agente faz as mesmas três chamadas, pelo SDK, pela API HTTP ou como ferramenta MCP:
# agente de voz do fornecedor B: a credencial dele define o que volta
ctx = niadra.context(phone=caller_id, channel="voice")
# a busca no histórico segue a mesma regra de finalidade do contexto
hits = niadra.search(customer=ctx.customer, query="contestação da fatura de agosto")
# a conversa entra na memória com a origem: canal, horário e agente
niadra.track(conversation=call_id, channel="voice", turns=[question, reply])
O context() entrega o contexto completo em menos de 100 ms, com a origem de cada fato. No Console, a empresa corta o acesso de um fornecedor na hora e simula o que cada agente enxerga antes de liberar. O registro de leituras segue para o SIEM, e a exportação sai em formato aberto. A Niadra é totalmente gerenciada: ela opera a infraestrutura, e o time da empresa conecta o SDK. Ela atua como operadora sob a LGPD e o GDPR, com DPA assinado.
Perguntas frequentes
Um fornecedor consegue ver o que outro fornecedor gravou?
Cada fornecedor vê o que a finalidade do agente dele permite, e a empresa define essa regra. O agente de voz do fornecedor B recebe o que a Marina contou no WhatsApp, porque os dois agentes atendem. O de cobrança, do fornecedor C, nunca vê a pendência técnica. Cada leitura fica registrada, inclusive as negadas.
Quem decide qual fato vale quando dois agentes discordam?
Uma regra fixa decide, e nenhum fornecedor pode mudá-la. Vale o fato mais recente, pela hora em que passou a valer, e o anterior continua no histórico com a origem. Durante a conversa, vale o que o cliente disser.
O que acontece com o histórico quando a empresa troca de fornecedor?
O histórico fica com a empresa, e o fornecedor novo lê a memória desde a primeira conversa, dentro da finalidade dele. A empresa exporta tudo em formato aberto, quando quiser. As cópias do fornecedor antigo seguem o contrato dele, que deve prever o apagamento ou a devolução no fim do serviço.
Os fornecedores precisam usar o mesmo modelo de IA?
Não. Cada fornecedor mantém o modelo, o prompt e o agente que já usa. O contexto chega pronto para o prompt de qualquer LLM, e a busca no histórico funciona pelo SDK, pela API HTTP ou como ferramenta MCP.